Terceiro Mês


Decorações de Natal estão por todos os lados e a chegada do Papai Noel é anunciada em muitas lojas. Mas mesmo com as cores do Natal enfeitando a cidade, os québécoises consideram o mês de novembro, o mais triste do calendário. Muitas folhas já caíram, chove constantemente, os dias ficam mais curtos e o frio começa a se instalar. É o inverno que aos poucos vai se anunciando.

Tenho observado as mudanças ao andar nas ruas. As árvores, sem folhas, parecem mortas. Só os Pinheiros permanecem verdes o ano inteiro. As pessoas estão mais agasalhadas, tendas de plástico
Abris Tempo são instaladas, pneus de carros são trocados...

Eu também estou me preparando... troquei meus jeans por calças de polyester e minhas botas brasileiras por
Kamik. Nem todos os modelos agradam, mas o importante aqui não é o visual. A minha vaidade carioca estará totalmente condenada no inverno de Québec. Eu já vi cada combinação de dar arrepios! E olha que revistas de moda não faltam. Aliás, a minha favorita é a Lou-Lou. Como não tenho tempo de ver TV, é folheando revistas e jornais que vou conhecendo os produtos, as marcas, os endereços e etc. Montreal Families, por exemplo, distribuída gratuitamente nas Bibliotecas da cidade, me deu dicas de onde comprar roupas de inverno para o pequeno Rafa. Igualmente Espace Parents, que chama minha atenção para matérias relacionadas a educação, saúde e estilo de vida.

A nossa rotina continua árdua e nosso terceiro mês em Montreal rendeu bastante.

Em outubro celebramos em casa, o aniversário do Rafa. Convidamos alguns amigos do orkut, o professor de francês do FEL e o casal de amigos colombianos.

Foi também o mês que fugimos um pouco da rotina da francisação quando fizemos em 4 dias, o curso de "Realidade Sócio Econômica do Mercado de Trabalho" na FRJ. Oportunidade que nos ensinou sobre Classificação Profissional, Normas de Trabalho, Ordens profissionais, Impostos e como confeccionar nosso CV à la québécoise.

"Cultura dentro das Empresas", oferecido pela Immigration-Québec – Nord de Montréal nos mostrou em 3 dias os comportamentos, costumes e aspectos culturais desenvolvidos pela sociedade québécoise dentro do ambiente de trabalho. Descobrimos que os québécoises são coletivistas, feministas, flexíveis, evitam conflitos, mas diferente de nós brasileiros, não são nada polivalentes. O que prova essa tendência, é o fato de termos que marcar hora pra tudo, até mesmo para encontrar o gerente do banco.

Uma coisa muito valorizada aqui no Québec é o trabalho voluntário. Imigrantes que o digam! São várias as ONGs que nos oferecem serviços. E quem trabalha como voluntário além de ter a oportunidade de se integrar, pratica a língua. E como tudo aqui é muito organizado até um Centro de Voluntários foi criado para intermediar as instituições que recrutam. Eu já atuei como voluntária e gostei muito!

Finalmente, também foi em outubro que compramos nosso carro. Depois de várias pesquisas na internet, encontramos no site do Craigslist um anúncio que nos levou à Laval. Como o seguro de veículo é algo obrigatório, por conta da responsabilidade civil, agregamos este ao nosso seguro habitação com a Desjardins, empresa que nos deu a melhor oferta. Nota: não adiantou trazer referências, pois muitas seguradoras não consideram nossa experiência simplesmente porque no Brasil não neva. E com toda razão, dirigir na neve é algo realmente especial. E a minha dificuldade de entender as placas de sinalização e os cuidados especiais durante o inverno me fizeram reprovar no exame do SAAQ.

Mas ser imigrante no Québec, é isso! Tem que ser paciente e estar disposto a aprender. Aprender a lavar as roupas, a louça e a banheira, aprender que aqui não se passa pano na casa e sim esfregão, aprender a cozinhar no fogão elétrico, aprender a se vestir durante o inverno, ter sempre um kleenex no bolso, aprender a fazer as próprias unhas, aprender a abastecer o carro, aprender a usar a máquina de xerox sozinha, e o pior de tudo: entender os recados na secretária eletrônica.

A primeira vez que precisei lavar roupas, foi uma comédia! Primeiro foi preciso escolher um sabão e um amaciante dentre as diversas marcas vendidas no supermercado, depois entender o funcionamento das máquinas na lavanderia, em seguida entender os símbolos nas etiquetas porque roupas de algodão e lã encolhem cerca de 4% nas secadoras. E depois de tudo isso, ainda descobri que existe um amaciante que é utilizado nas secadoras que diminui a eletricidade estática. Fala sério!!!

Alguns dias depois de ter registrado meu cv no monster, uma agência me ligou oferecendo uma vaga. A entrevista foi por telefone mesmo, e uma semana depois, fui convidada para outra entrevista com o gerente da companhia. Resultado: estou trabalhando na Sita, enquanto o Pedro está na Yu Centrick e o Rafa segue na creche, nos surpreendendo a cada dia com uma nova frase em inglês. Sua coleção de trens do Thomas cresce junto com ele, e por horas eu nem acredito que ele já tem 4 anos.

Com tantas coisas para fazer e tendo que aprender a me virar no mundo canadense, virou hábito visitar a Biblioteca em busca de livros que me ajudem a organizar o dia-a-dia e que me ensinem sobre o modo de vida dos québécoises.

Três meses não é nada quando penso no tanto que ainda temos pela frente... Quando conto minha história, as pessoas dizem que eu sou sortuda. Mas eu não chamo isso de sorte apenas. Eu chamo isso de preparação. Eu me preparei antes de vir para cá. Eu deixei uma vida estável, um bom emprego, minha família, meus amigos, meus animais de estimação, minha casa, numa cidade que ainda chamam de maravilhosa, mas que para mim representa o medo e a insegurança. Viver em Québec tem me ensinado tanta coisa... uma delas é dormir mais tranqüila!

Publié parMichèle Aguiar  

8 commentaires:

Cinthya Di Paula disse... 01 dezembro, 2007  

Amo vocês.
Um beijo!

Anônimo disse... 03 dezembro, 2007  

oieeee Michell...
passei p deixar um beijo p vcs...bom ler e saber que vcs estao felizes
beijosss
Denise
e Flavio

Marcio Henrique Barros disse... 03 dezembro, 2007  

Hi Michèle, não consegui entender um detalhe: seu filho está na creche em Montreal, e chega em casa falando em inglês? Não deveria ser francês? Como é que é isso?

Abraços

PURE disse... 05 dezembro, 2007  

Oi Michèle, fico feliz em saber que seu objetivo está sendo conquistado e de maneira correta. quando você menos esperar, não será 3º mês, e sim 3º ano.
Muuito sucesso à todos.
anderosn aurélio - Curitiba

FeeL disse... 06 dezembro, 2007  

Issoae, muitas mudancas, muitas novidades, e muito aprendizado!
Vida de Imigrante, cidadao do mundo! :D
Em breve serei eu nessa rotina.. :)

Chicão disse... 13 dezembro, 2007  

Bravo!!! Me esperem que eu tb já vou!
Q bom q vcs já estão trabalhando e com menos de 3 meses. Era o q faltava para eu ficar + tranquilo.
Beijo e abraço a todos

F & M disse... 21 dezembro, 2007  

Demais e super informativo seus posts!!! Vocês já são vencedores, agora é só administrar...
Estamos estudando viver em Côte de Neiges, mas também pensamos em Montréal Nord, quem sabe seremos vizinhos?
De qualquer jeito nos encontraremos por aí em alguma esquina...
Que 2008 seja melhor ainda em todos os setores de suas vidas!
Boas Festas!! F & M

Rafa e Déia disse... 03 maio, 2008  

Michèle, seu blog é importantíssimo! Acho que um dos melhores que já lí até hoje. Só tenho que agradecer. Valeu!

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